Boeing pagará US$ 200 milhões para liquidar acusações de enganar investidores sobre acidentes com o 737 Max | Boeing

A Boeing e seu ex-presidente-executivo fecharam uma investigação do principal regulador financeiro dos EUA sobre declarações supostamente enganosas que a fabricante de aviões e seu então chefe fizeram sobre seus jatos 737 Max, envolvidos em dois acidentes mortais na Indonésia e na Etiópia.

A Boeing pagará US$ 200 milhões para liquidar acusações de que enganou investidores e o ex-chefe da Boeing, Dennis Muilenburg, concordou em pagar US$ 1 milhão.

“Em tempos de crise e tragédia, é especialmente importante que empresas públicas e executivos forneçam divulgações completas, justas e verdadeiras aos mercados. A Boeing Company e seu ex-CEO, Dennis Muilenburg, falharam nessa obrigação mais básica”, disse o presidente da Securities and Exchange Commission (SEC), Gary Gensler.

Os dois jatos 737 Max fatais tiraram a vida de 346 pessoas, levaram ao aterramento da frota Max e investigações em todo o mundo.

A SEC vem investigando declarações feitas pela empresa e por seu ex-presidente-executivo. Os investidores da Boeing perderam bilhões após os acidentes e a SEC tem a tarefa de fazer cumprir as regras que forçam as empresas a divulgar informações que podem afetar o preço de suas ações.

Os dois acidentes, de um voo da Lion Air que caiu no mar ao largo de Jacarta e um voo da Ethiopian Airlines de Adis Abeba, aconteceram dentro de quatro meses um do outro e envolveram uma função de controle de voo chamada Maneuvering Characteristics Augmentation System (MCAS).

De acordo com a SEC, após o primeiro acidente, a Boeing e Muilenburg sabiam que o MCAS “representava um problema contínuo de segurança do avião, mas mesmo assim garantiram ao público que o avião 737 Max era ‘tão seguro quanto qualquer avião que já voou nos céus’. Mais tarde, após o segundo acidente, Boeing e Muilenburg garantiram ao público que não houve lapsos ou lacunas no processo de certificação em relação ao MCAS, apesar de estarem cientes de informações contrárias.”

“Não há palavras para descrever a trágica perda de vidas causada por esses dois acidentes de avião”, disse Gensler.

Em 2021, a Boeing foi multada em US$ 2,5 bilhões pelo departamento de justiça depois de ser acusada de fraude e conspiração em conexão com os dois acidentes. Os investigadores alegaram que um ex-piloto da Boeing enganou os reguladores de segurança aérea sobre como funcionava o sistema de controle de voo do Max.

Autoridades norte-americanas disseram que a empresa se engajou “em um esforço para encobrir seu engano” e escolheu “o caminho do lucro sobre a franqueza, ocultando informações materiais” da Federal Aviation Administration (FAA), o principal regulador de companhias aéreas dos EUA.

A Boeing disse que fez “mudanças amplas e profundas em nossa empresa em resposta a esses acidentes” para melhorar a segurança e a qualidade, informou a Associated Press.

“O acordo de hoje faz parte do esforço mais amplo da empresa para resolver com responsabilidade questões legais pendentes relacionadas aos acidentes do 737 Max de uma maneira que atenda aos melhores interesses de nossos acionistas, funcionários e outras partes interessadas”, disse a empresa com sede em Arlington, Virgínia.

A Boeing não estava imediatamente disponível para comentar.

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