Lavrov promete ‘proteção total’ para qualquer território anexado pela Rússia

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NAÇÕES UNIDAS, 24 de setembro (Reuters) – O principal diplomata da Rússia disse neste sábado que regiões da Ucrânia onde estão sendo realizados referendos amplamente ridicularizados estariam sob “proteção total” da Rússia se forem anexadas por Moscou, em meio a temores de que a Rússia possa escalar ainda mais o conflito e até mesmo usar armas nucleares.

O ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov, dirigindo-se à Assembleia Geral da ONU e à mídia mundial em Nova York, tentou justificar a invasão russa de fevereiro ao seu vizinho, repetindo as falsas alegações de Moscou de que o governo eleito em Kyiv foi instalado de forma ilegítima, cheio de neonazistas e russos oprimidos falantes no leste do país.

A Rússia lançou na sexta-feira referendos em quatro regiões do leste da Ucrânia com o objetivo de anexar o território que tomou à força. Kyiv disse que os moradores estão sendo coagidos a votar e não foram autorizados a deixar as regiões durante a votação de quatro dias, que os países ocidentais descartaram como uma farsa projetada para justificar uma escalada da guerra de sete meses.

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“Após esses referendos, é claro que a Rússia respeitará a expressão da vontade daquelas pessoas que há muitos anos sofrem com os abusos do regime neonazista”, disse Lavrov em entrevista coletiva depois de discursar na assembleia.

Questionado se a Rússia teria motivos para usar armas nucleares para defender as regiões anexadas da Ucrânia, Lavrov disse que o território russo, incluindo o território “consagrado ainda mais” na Constituição da Rússia no futuro, “está sob a proteção total do Estado”.

“Todas as leis, doutrinas, conceitos e estratégias da Federação Russa se aplicam a todo o seu território”, disse ele, referindo-se também especificamente à doutrina russa sobre o uso de armas nucleares.

Os comentários vieram após um aviso explícito na quinta-feira pelo ex-presidente Dmitry Medvedev, um aliado do presidente russo Vladimir Putin, de que qualquer arma no arsenal de Moscou, incluindo armas nucleares estratégicas, poderia ser usada para defender territórios incorporados à Rússia.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse que os comentários de Lavrov e a declaração anterior de Putin, quando ele disse que não estava blefando sobre o uso de armas nucleares, eram “irresponsáveis” e “absolutamente inaceitáveis”.

“A Ucrânia não vai ceder. Apelamos a todas as potências nucleares para se manifestarem agora e deixar claro para a Rússia que tais retóricas colocam o mundo em risco e não serão toleradas”, escreveu Kuleba no Twitter.

A Rússia acusa os Estados Unidos e outros de serem partes do conflito porque estão enviando armas para ajudar a Ucrânia a se defender. A provável anexação do território ucraniano levanta a questão de como a Rússia pode responder ao uso de armas ocidentais nessas regiões.

A Ucrânia também solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU sobre os referendos, pedindo que a Rússia seja “responsável por suas novas tentativas de mudar as fronteiras internacionalmente reconhecidas da Ucrânia em uma violação da Carta da ONU”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oleg Nikolenko, no Twitter.

MOBILIZAÇÃO

Putin ordenou na quarta-feira a primeira mobilização do país desde a Segunda Guerra Mundial, um anúncio que viu alguns russos se dirigirem rapidamente para as fronteiras, com o tráfego nas fronteiras com a Finlândia e a Geórgia subindo e os preços das passagens aéreas de Moscou disparando. consulte Mais informação

Quando perguntado no sábado por que tantos russos estavam deixando o país, Lavrov apontou para o direito à liberdade de movimento.

Putin lançou a invasão em grande escala depois de reclamar que a expansão da aliança da OTAN liderada pelos EUA desde o colapso da União Soviética era uma ameaça para a Rússia.

Questionado se poderia prever futuras conversas com os Estados Unidos para fazer a Rússia se sentir mais segura sobre o que chama de invasão da Otan, Lavrov disse que foi o Ocidente que interrompeu as discussões anteriores. Seu colega americano, o secretário de Estado, Antony Blinken, interrompeu as negociações na véspera da invasão, dizendo que o movimento de forças da Rússia na fronteira com a Ucrânia era uma “rejeição total da diplomacia”.

“Não estamos dizendo não aos contatos. E quando chegam propostas nesse sentido, nós concordamos. Se nossos parceiros quiserem se reunir discretamente para que ninguém saiba, tudo bem, porque é sempre melhor falar do que não falar”, Lavrov disse. “Mas na situação atual, a Rússia simplesmente não vai dar o primeiro passo.”

Lavrov procurou retratar a oposição à guerra da Rússia na Ucrânia como limitada a Washington e países sob sua influência. A Rússia vem tentando superar seu isolamento internacional desde que quase três quartos da Assembleia Geral votaram para repreender Moscou em março.

O parceiro estratégico da Rússia, a China, tem estado firmemente em cima do muro, criticando as sanções ocidentais contra a Rússia, mas parando de endossar ou ajudar na campanha militar. Em um reconhecimento surpresa, Putin disse na semana passada que o líder da China, Xi Jinping, estava preocupado com a Ucrânia.

Quando perguntado se a Rússia estava sendo pressionada pela China para acabar com a guerra, Lavrov disse: “Você pode dizer a seus leitores, ouvintes, espectadores que evitei responder à sua pergunta”.

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Reportagem de Michelle Nichols, Humeyra Pamuk e Daphne Psaledakis nas Nações Unidas; Reportagem adicional de David Ljunggren; escrita por Simon Lewis; Edição por Chris Reese e Daniel Wallis

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