Ucranianos devem deixar Sievierodonetsk em apuros enquanto russos avançam

  • Candidatura da Ucrânia à UE fortalecerá Europa-Zelenskiy
  • Forças ucranianas assumem novas posições em Sievierodonetsk
  • Rússia bombardeia alvos no Donbas
  • Guerra marca quatro meses desde a invasão

KYIV, 24 Jun (Reuters) – A Ucrânia sinalizou nesta sexta-feira que suas tropas estão se retirando da cidade de Sievierodonetsk, palco de semanas de intensos bombardeios e combates de rua, em um movimento que seria um revés significativo em sua luta para derrotar as forças russas.

O governador da província, Serhiy Gaidai, disse que as tropas na cidade já receberam a ordem de mudar para novas posições, mas não indicou se já o fizeram ou para onde exatamente estão indo.

“Permanecer em posições despedaçadas por muitos meses apenas para ficar lá não faz sentido”, disse Gaidai à televisão ucraniana.

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As tropas “terão que ser retiradas”, disse ele.

Gaidai falava no dia que marcou quatro meses desde que o presidente russo, Vladimir Putin, enviou dezenas de milhares de soldados pela fronteira, desencadeando um conflito que já matou milhares de combatentes e civis, desarraigou vários milhões de pessoas e viu cidades ucranianas serem destruídas. pedaços de artilharia e ataques aéreos russos.

A guerra também alimentou uma crise global de energia e alimentos.

Alguns dos combates mais pesados ​​da guerra ocorreram em Sievierodonetsk, onde o combate rua a rua durou um mês, com a Rússia meticulosamente conquistando mais terreno.

A batalha é fundamental para que a Rússia estabeleça o controle sobre o último pedaço remanescente da província de Luhansk, que, junto com Donetsk, forma a região de Donbas, o coração industrial da Ucrânia.

A queda de Sievierodonetsk deixaria apenas Lysychansk – sua cidade irmã na margem ocidental do rio Siverskyi Donets – permanecendo em mãos ucranianas.

FORÇAS ‘TEVE QUE SE RETIRAR’

“Nossas forças tiveram que se retirar e conduzir um recuo tático porque basicamente não havia mais nada lá para defender. Não havia mais nenhuma cidade lá e, em segundo lugar, não podíamos permitir que eles fossem cercados”, disse Oleksander Musiyenko, um militar de Kyiv. analista.

As táticas da Rússia desde que suas tropas não conseguiram capturar a capital Kyiv no início da guerra envolvem bombardeios ferozes de cidades e vilas, seguidos por ataques de tropas terrestres.

Analistas dizem que as forças russas estão sofrendo pesadas baixas e enfrentam problemas de liderança, suprimentos e moral. No entanto, eles estão reprimindo a resistência ucraniana e obtendo ganhos incrementais no leste e no sul.

O estado-maior da Ucrânia disse na sexta-feira que os russos estavam disparando de tanques, morteiros, artilharia e jatos, além de realizar ataques aéreos perto de Lysychansk e Sievierodonetsk e cidades próximas. A Reuters não pôde verificar imediatamente os relatórios.

Tropas ucranianas repeliram um ataque russo na periferia sul de Lysychansk, escreveu o governador Gaidai no aplicativo Telegram. Mas a Rússia assumiu o controle da vila de Mykolaivka, localizada perto de uma rodovia para Lysychansk, disse ele.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia minimizou a importância da possível perda de mais território no Donbas.

“Putin queria ocupar o Donbas até 9 de maio. Estamos em 24 de junho e ainda lutando. Recuar de algumas batalhas não significa perder a guerra”, disse Dmytro Kuleba em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera.

O controle russo do Donbas permitiria a ligação com a já ocupada Crimeia ao sul, que Moscou anexou da Ucrânia em 2014.

DITADURA E DEMOCRACIA

Apesar das dificuldades da Ucrânia no campo de batalha, ela ganhou novo apoio do Ocidente. Na quinta-feira, os líderes europeus aprovaram a candidatura formal da Ucrânia para ingressar na União Europeia.

Embora a jornada para a adesão plena leve anos, a medida foi um impulso para o moral ucraniano – e vai irritar Putin.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse aos líderes da UE em Bruxelas nesta quinta-feira que sua decisão de aceitar a candidatura de Kyiv está entre as mais importantes para a Ucrânia desde que se separou da União Soviética há 31 anos.

“Mas esta decisão não está sendo tomada apenas em benefício da Ucrânia”, disse ele. “É o maior passo para o fortalecimento da Europa que poderia ter sido dado agora… quando a guerra russa está testando nossa capacidade de preservar a liberdade e a unidade”.

Moscou lançou o que chama de “operação militar especial” em 24 de fevereiro, dizendo que queria garantir a segurança em suas fronteiras. Kyiv e o Ocidente dizem que Putin lançou uma invasão não provocada para tomar o território ucraniano e trazer o país de volta ao rebanho de Moscou.

O ministro das Relações Exteriores Kuleba, em entrevista ao Corriere della Sera, parecia pessimista sobre as perspectivas de qualquer conversa de paz em breve.

“Somente nossa vitória militar convencerá a Rússia a se envolver em sérias negociações de paz. As armas garantirão a rota diplomática”, disse Kuleba. Kyiv ainda estava aberta à ideia de um encontro entre Zelinsky e Putin em que “todos os pontos seriam objeto de diálogo”, disse ele. Mas a Ucrânia estava engajada em uma luta existencial, disse ele.

“Esta é uma guerra entre ditadura e democracia não escolhida por nós.”

Ele também reiterou os apelos de Kyiv por mais armas do Ocidente, particularmente lançadores de foguetes e canhões, bem como mais munição.

“As armas estão chegando, e teria sido quase impossível sem elas. Mas elas não são suficientes, não são suficientes nem para estabilizar a frente de Donbas. A Rússia é mais forte.”

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Relatórios das agências da Reuters; Escrita por Michael Perry e Angus MacSwan; Edição por Himani Sarkar e William Maclean

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